Aquela parede branca como o calera o nosso retiro, o nosso amparo.
As tardes ali passadas, numa troca de olhares
trouxeram a intimidade, entre nós e uma parede branca como o cal
E se todos os dias ali te esperava
porém agreste com a tua demora
ao te ver chegar colhendo flores musa angelical
o meu ser resplandecia, junto aquela parede branca como cal
O beijo prometido servia de ritual
e as flores colhidas ornamentavam
aquela tarde, mais uma longa tarde
mais um longo entardecer, junto à parede branca como cal
Mas, por infortúnio do destino
o além falou mais alto
a pesada partida sem regresso
o teu adeus à vida, meu Deus aquele adeus ...
Os dias eram noites
e a demora outrora agreste
virou desespero e loucura
desejo sem aventura
Muitos anos se passaram
muitos, muitos meu amor.
Tornei-me num ser errante
carente da tua presênça, das tardes passadas.
Aqui estou eu sentindo o final
escrevi todos os dias a saudade
que me consome e hoje escrevo pl'a última vez
louco mas apaixonado.
Lanço um breve olhar ao horizonte
escrevo sem demora, que sou teu
sempre teu e muito teu amado.
Abraço em tom de despedida a tal parede.
E ali adormeço num sono sem retorno
deixando a história viva de um amor angelical
entre os que passam e lêem as nossas tardes
naquela parede, outrora branca como cal.
Jean Herbert J&H
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