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Tuesday, July 04, 2006

Voices


Oiço vozes vindas do nada, presentes
sobre o tudo e convictos de nenhum.
Vozes que se propagam e se reconduzem
a si mesmas, vozes dispersas.


Dizem ser profecias, soluços de uma
criança, choro de um piano...
Não é que não as queira
ouvir, sabes bem o que se transforma
sempre que as escuto.

Oiço vozes, passei anos ouvindo-as
ferindo-me e ferindo-as...

De todas que ouvi, de todas
que me incendiaram os olhos
Nenhuma se perdeu, nem outras direcções
seguiram, cruzaram teu peito e atravessaram a tua boca
e vieram morrer em mim ...

Que me importa que essas vozes me digam
que tu e eu somos rios desencontrados? Que me fira
longe da tua presença? Que me acrescentam a alma
essas vozes desordeiras ?

Nada amor...nada
oiço-as todos os dias
aqui e acolá, ontem e hoje
irei ouvi-las sempre, mas de todas que já ouvi
é o teu " Amo-te " que mora em mim.


Jean Herbert J&H

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