
Oiço vozes vindas do nada, presentes
sobre o tudo e convictos de nenhum.
Vozes que se propagam e se reconduzem
a si mesmas, vozes dispersas.
Dizem ser profecias, soluços de uma
criança, choro de um piano...
Não é que não as queira
ouvir, sabes bem o que se transforma
sempre que as escuto.
Oiço vozes, passei anos ouvindo-as
ferindo-me e ferindo-as...
De todas que ouvi, de todas
que me incendiaram os olhos
Nenhuma se perdeu, nem outras direcções
seguiram, cruzaram teu peito e atravessaram a tua boca
e vieram morrer em mim ...
Que me importa que essas vozes me digam
que tu e eu somos rios desencontrados? Que me fira
longe da tua presença? Que me acrescentam a alma
essas vozes desordeiras ?
Nada amor...nada
oiço-as todos os dias
aqui e acolá, ontem e hoje
irei ouvi-las sempre, mas de todas que já ouvi
é o teu " Amo-te " que mora em mim.
Jean Herbert J&H
No comments:
Post a Comment