Não deveria escrever como fazemos grandes poetas que no delírio
da tinta sobre o papel
vencem a loucura da solidão
Não deveria pensar como fazem
os filósofos mais audazes
pensar sobre o inexistente
ser apenas eloquente
Não posso cantar como canta
o mais nobre cantor
que compõe uma canção
e a transforma em horas de prazer
Não posso sonhar como sonham
as crianças em seus dias
que sonham sofrendo que
sorriem porque constroem a paz interior
Não posso orar como oram
os mais ilustres oradores
que se aplaudem a si mesmos
nos aplausos de uma plateia
Não posso ser ninguém que eu
queira, não posso escrever nem pensar
não consigo cantar ou apenas sonhar
não consigo orar quando não existe plateia
E o meu único trunfo é desenhar sobre a areia
que não sou nada e sou tudo,porque ainda amo;
é segredar à natureza e deixar que o voo ligeiro
de uma gaivota me invada enquanto . . .
... sinto que posso amar .
Por vezes saber amar faz todo o sentido quando de nós pouco resta .
Jean Herbert J&H
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