
Um glaciar se formou no meu interior
Gelo sobre gelo, o aroma do frio.
Uma metáfora de esquecimento
Surgiu pela calada do amanhecer
Uma almofada confidente acaricia a minha face
E a nota musical se desprende dos meus olhos.
Não acredito nesta manhã que acordei
Pensei dormir eternamente e esquecer que sou parte do Mundo.
Não acredito que a noite por mim passou
Que as horas avançam a galope... Não acredito.
É dia, sinto a luz que invade meu quarto
Quanto tempo mais terei que o sentir?
Aniquila-me que o bater do meu coração
Sejam compassos desritimados.
Ao longe uma sombra desenhada por um tímido sol
Não esconde o trajecto penoso de uma orfã.
Perto, bem perto de mim
Um relógio desata a cantar a sua rotinada melodia.
E um Homem com a motivação nas mãos acorda
Cerra os dentes de uma raiva não contida, de um gemido prisioneiro.
Faz-se à longa estrada que lhe percorre o corpo, no amor perdeu o amor
Na vida a própria vida, na manhã a noite, no peito perdeu o mundo.
Quer ser solitário, na solidão que procura.
Um desgovernado desregrado.
Quer acreditar no que dizem os mais belos livros, o amor versado.
Por entre o vento que beija a areia de um deserto, este Homem está magoado.
Jean Herbert J&H
No comments:
Post a Comment