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Monday, June 05, 2006

Glaciar


Um glaciar se formou no meu interior
Gelo sobre gelo, o aroma do frio.

Uma metáfora de esquecimento
Surgiu pela calada do amanhecer

Uma almofada confidente acaricia a minha face
E a nota musical se desprende dos meus olhos.

Não acredito nesta manhã que acordei
Pensei dormir eternamente e esquecer que sou parte do Mundo.

Não acredito que a noite por mim passou
Que as horas avançam a galope... Não acredito.

É dia, sinto a luz que invade meu quarto
Quanto tempo mais terei que o sentir?

Aniquila-me que o bater do meu coração
Sejam compassos desritimados.

Ao longe uma sombra desenhada por um tímido sol
Não esconde o trajecto penoso de uma orfã.

Perto, bem perto de mim
Um relógio desata a cantar a sua rotinada melodia.

E um Homem com a motivação nas mãos acorda
Cerra os dentes de uma raiva não contida, de um gemido prisioneiro.

Faz-se à longa estrada que lhe percorre o corpo, no amor perdeu o amor
Na vida a própria vida, na manhã a noite, no peito perdeu o mundo.

Quer ser solitário, na solidão que procura.
Um desgovernado desregrado.

Quer acreditar no que dizem os mais belos livros, o amor versado.
Por entre o vento que beija a areia de um deserto, este Homem está magoado.


Jean Herbert J&H

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