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Saturday, June 03, 2006

Infelicidade


Sinto-o a correr nas minhas veias
Doloroso veneno que me absorve
Metade de uma noite absorta e pálida
Atravessa meu corpo vociferando

Dois olhos apagaram as chamas do crepúsculo
na minha boca um árido deserto
Um doce e amargo querer
Badalaram entre as palavras
Que foram caíndo na alma.

Fiz em duas gotas de orvalho
Um pedaço de um falso poema;
E o que tenho para dar
Não é um cofre aberto.

Não venci as espigas
Que tem a cor do trigo maduro;
A verdade procura-me sedenta
E o que me encontra são novas mentiras
Um fogo que arde lento pela manhã.

Doses exasperadas de um mal menor
Ofuscam a ébria luz cinzenta;
Sobre um pequeno vale de ilusões
Desce uma mistura de água e sede.

Salvam-se por entre flores agrestes
Chorosos sentimentos;
Um cantar longínquo anuncia velhas mágoas
Um vazio que não está presente nem ausente.

Um pertinente recordar
Afastou a realidade nua e crua;
No reverso de um simples anel a noite falou
E um núncio de felicidade ficou esquecido no papel.

Jean Herbert J&H

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